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"O diagnóstico de disfunção da tireóide pode também ajudar a mulher a lidar com a depressão e ansiedade. Segundo dados do estudo, cerca de 20% daquelas que sofreram de depressão pós-parto se separaram do marido...'' |
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Quadros de ansiedade e depressão pós-parto, na qual a mulher se sente principalmente desanimada e apática, ou agitada e nervosa, podem ocorrer devido a um processo patológico. Segundo estudo realizado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, 13,3% das mulheres após o parto apresentaram esse problema, caracterizado pelo funcionamento irregular da tireóide. Nos EUA, a incidência é de 8% a 10% e na Europa 11,4% a 12,5%. Por falta de conhecimento sobre essa patologia, poucos médicos conseguem identificar a tireoidite pós-parto como a causa dos sintomas. As mulheres acabam sendo tratadas com remédios que minimizariam o quadro físico e psicológico. O mau funcionamento da tireóide se torna crônico, podendo causar quadros mais evoluídos, inclusive câncer a longo prazo. O diagnóstico de disfunção da tireóide pode também ajudar a mulher a lidar com a depressão e ansiedade. Segundo dados do estudo, cerca de 20% daquelas que sofreram de depressão pós-parto se separaram do marido. “Se o diagnóstico for feito logo após os primeiros sintomas aparecerem, é possível melhorar a evolução clínica do quadro da paciente e otimizar o tratamento minimizando os sintomas”, diz Maria Fernanda Barca, endocrinologista responsável pelo estudo no Hospital das Clínicas. A pesquisadora avaliou 800 mulheres na gravidez e 368 após o parto. As participantes foram acompanhadas durante quatro anos. Três formas de disfunção tireoidiana foram observadas em 49 pacientes. A Primeira caracterizava-se pelo excesso de funcionamento da glândula, chamado Hipertireoidismo. Os sintomas mais comuns são tremores, insônia, ansiedade e depressão. Das 49 mulheres com problemas na tireóide, 6 tinham esse quadro. A maioria das mulheres (41 das 49) tinha uma redução no funcionamento da glândula, quadro definido como Hipotireoidismo. Elas tinham apatia, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e cabelo quebradiço. Duas mulheres apresentaram um quadro que começava com hipertireoidismo e passava a hipotireoidismo. Segundo Barca, 71,4% das mulheres com disfunção tiveram que ser tratadas com antidepressivos, ansiolíticos (tranqüilizantes) e com reposição hormonal. No entanto, o quadro pode voltar ao normal naturalmente. A pesquisadora observou também que 14 mulheres que tiveram uma cura espontânea do quadro apresentaram uma recaída depois de dois a quatro anos. Ginecologistas e pediatras A preocupação de Barca é que os médicos que acompanham as mulheres após o parto ginecologistas e pediatras - não tem o conhecimento desses problemas e não pedem exames que poderiam diagnosticar a disfunção. “É importante divulgar este quadro para que as mulheres e médicos possam identificá-lo e tratá-lo o mais rápido possível”, diz. Não se sabe ao certo o que desencadeia o processo que resulta na disfunção da tireóide. Uma das causas poderia estar relacionada ao sistema de defesa. Quando a mulher engravida, o corpo reduz a produção de células de defesa, como anticorpos. A produção volta aos níveis normais após o parto. Fatores genéticos, ingestão de iodo e outros processos ainda pouco conhecidos desencadeiam processo de fabricação excessiva de um anticorpo chamado anti-TPO, que ataca exclusivamente a tireóide. ..................................................................................................................................................................................
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